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As crianças e as suas listas de presentes: dar limites sem estragar a magia

Uma criança sabe muito bem o que quer. O problema não é a lista, é saber onde termina o desejo e onde começa o anúncio que acabou de ver.

Uma lista de criança, relida e organizada com ela, não em vez dela.

Perguntar a uma criança o que quer no Natal ou no aniversário raramente dá uma lista curta. Dá uma lista que cresce a cada anúncio visto na televisão ou a cada brinquedo visto em casa de um amigo. O reflexo dos pais é muitas vezes recusá-la, ou reduzi-la eles próprios em segredo. Há um meio-termo mais simples: construir a lista com a criança, não por ela, e mantê-la viva ao longo do ano em vez de sob pressão numa noite de dezembro.

Separar o desejo do momento do desejo que dura

Uma criança que vê um brinquedo na loja quer tê-lo instantaneamente, e muitas vezes já não se lembra dele uma semana depois. Uma boa prática consiste em anotar o desejo no momento, sem o comprar, e relê-lo em conjunto um pouco mais tarde. O que fica ao fim de algumas semanas tem boas hipóteses de ser um desejo verdadeiro; o que desaparece da memória dela provavelmente não merecia ser comprado. É o próprio princípio detalhado em menos objetos, melhor escolhidos: o tempo separa melhor do que nós.

Dar limites sem ser desmancha-prazeres

Um limite não é um castigo. «Três coisas que tu realmente queres, e mais duas ideias» ajuda uma criança a priorizar sem lhe dizer não de forma brusca. Alguns pais fixam um número de artigos, outros um intervalo de orçamento explicado de forma simples. O objetivo é o mesmo: transformar uma lista ilimitada numa escolha que ela pode realmente fazer.

A armadilha dos avós e dos padrinhos

O verdadeiro problema muitas vezes não é a criança, é a coordenação entre adultos. Cada um quer fazer feliz, ninguém sabe o que os outros já previram, e a criança acaba com três vezes o mesmo brinquedo ou nada do que realmente esperava. Uma lista partilhada, visível para toda a família, resolve este problema sem que nenhum adulto precise de telefonar aos outros para se coordenarem. É exatamente para isso que existe o Wishi: cada pessoa que escolhe um artigo vê-o desaparecer para os outros, sem que a criança saiba disso com antecedência.

Guardar uma parte de surpresa

Uma lista completa não deve substituir toda a surpresa. Muitas famílias mantêm uma regra simples: pelo menos um dos presentes não está na lista, escolhido livremente por quem oferece. A lista serve de rede de segurança contra duplicados e desilusões, não de contrato a cumprir à risca.

Com o tempo, este hábito também ensina a criança a distinguir um desejo real de um reflexo diante de um ecrã, uma competência que lhe será útil muito depois da infância.

Perguntas frequentes

A partir de que idade pode uma criança ter a sua própria lista?

Assim que sabe exprimir uma preferência, muitas vezes por volta dos 4-5 anos, com um adulto a escrever por ela. Por volta dos 8-9 anos, já pode começar a gerir uma lista simples sozinha, com limites definidos pelos pais.

É preciso aceitar tudo o que está na lista de uma criança?

Não. A lista serve de base de discussão, não de encomenda automática. Podes manter o que te parece razoável e deixar de lado o que não é, explicando porquê em vez de ignorar em silêncio.

Como evitar que a avó compre o mesmo brinquedo que a madrinha?

Uma lista partilhada onde cada pessoa indica o que já escolheu resolve este problema diretamente, sem telefonemas entre adultos nem risco de a criança descobrir antes da hora.

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